Conselho de classes

Estudar o Conselho de Classe é buscar desvelar como se dá a mediação entre o processo de trabalho escolar e o processo pedagógico.

Nesta conexão estão interpenetradas as dimensões da avaliação do aluno, do processo de aprendizagem e da escola em si, ensejando a potencialidade de avaliação da própria gestão institucional.

Para se compreender não só a necessidade, mas, também, o "modus operandi" do Conselho de Classe, é preciso que se questione sobre o local de trabalho como instância de produção e reprodução de políticas educacionais no cotidiano escolar, tendo em mente que o espaço do pedagógico não pode ser desconectado da possibilidade de construção de processos democráticos participativos capazes de inaugurar novas relações sociais.

O Conselho de Classe constitui, pois, um recurso metodológico para a reflexão sobre a dinâmica de estruturação de coletivos escolares e sobre as dificuldades de superação das práticas fragmentadoras do trabalho pedagógico.

É, além do mais, uma instância contraditória; trata-se de uma peça-chave na engrenagem da organização prescritiva e burocrática do processo escolar, e, no entanto, é um dos únicos momentos existentes no interior da escola que permitem a discussão e a análise coletivas do processo ensino-aprendizagem.

No interior dessas contradições, o Conselho de Classe pode ser um mecanismo de absorção das tensões e conflitos, regulando-os a favor da manutenção da estrutura vigente ou pode representar uma possibilidade de inovação, se permite a realização de potencialidades inexploradas, como a participação direta e crítica de todos os envolvidos no processo pedagógico, processos avaliadores capazes de redirecionar as práticas vigentes, assim como alternativas de integração disciplinar visando a romper com a fragmentação do conhecimento.

O Conselho de Classe tanto pode ser reprodutor das relações pedagógicas atomizadas, individualistas, regidas disciplinarmente pelo controle das decisões e do tempo, estimuladas por processos burocráticos e hierarquizados quanto pode ser um instrumento de superação das relações fragmentadas, das práticas tradicionais, tornando-se agente de uma pedagogia transformadora.

Ensino Fundamental
topo