Avaliação da Aprendizagem

Um dos aspectos mais complexos e polêmicos em educação é a avaliação da aprendizagem. Sua complexidade decorre do fato de que não pode ser vista descontextualizada da prática pedagógica.

Não a podemos pinçar de um contexto e discutir de forma isolada sobre ela, sobre o que ela é? como deve ser realizada? quando deve ser aplicada? para que e por quem deve ser realizada?

Não podemos discuti-la isoladamente simplesmente porque a avaliação da aprendizagem é inerente, indissociável da prática pedagógica que se dá preferencialmente em sala-de-aula. É, pois, essa prática pedagógica, amparada em um dado conceito de educação, que determina o tipo de avaliação da aprendizagem adotada.

Se a prática pedagógica é transformadora, a avaliação tenderá a ser transformadora, construtiva e passa a se caracterizar como diagnóstica, processual e contínua. Se for tradicional, certamente a avaliação será conservadora, visará medir o quanto o aluno sabe por meio de uma abordagem quantitativa, classificatória e periódica.

Não há como desenvolver uma avaliação progressista, avançada, se a prática pedagógica adotada possuir uma postura conservadora. Da mesma forma se se adota uma proposta pedagógica progressista, avançada, a avaliação da aprendizagem se desenvolverá naturalmente dentro desta mesma linha.

Uma concepção de ensino tradicional, seguramente irá priorizar a transmissão/assimilação do conhecimento, calcada no programa de ensino adotado pela escola. Desta maneira, sua avaliação terá como objetivo principal medir o quanto o aluno assimilou dos conteúdos trabalhados e o quanto não conseguiu assimilar. Esse medir dar-se-á normalmente via nota ou, usando de um eufemismo que abrande a situação, via conceitos ou menções, o que, afinal, não modifica muito o panorama.

Se, ao contrário, a escola adota uma proposta pedagógica transformadora, buscará privilegiar o processo da construção do conhecimento realizado pelo aluno.

Para tanto, os conteúdos terão que ser significativos para o aluno, de modo que ele seja capaz de relacioná-los com os conhecimentos que já possui. O conteúdo será trabalhado não somente no viés cognitivo, mas, também nas dimensões procedimentais e atitudinais. Tais vertentes do currículo não são suficientemente valorizadas pela escola tradicional.

São estas dimensões que reunidas dotam o ser humano de habilidades e competências.

São elas que formam o indivíduo e não apenas o informam.

A avaliação que mede, que classifica, não consegue avaliar o ser humano integralmente formado.

Portanto, esta é a razão pela qual, adotada a concepção progressista, não se é possível adotar os parâmetros classificatórios na avaliação.

Ao contrário de medir, a prática progressista realiza um diagnóstico de como está se dando a aprendizagem? Como aprendeu? O que não aprendeu? Por que não aprendeu?

Visa a diagnosticar quais foram os procedimentos que o aluno adotou para chegar em uma determinada resposta, para formular determinado conceito.

Nessa lógica, o erro não pode ser passível de punição, ele integra o percurso do aluno rumo à sua aprendizagem.

Por isso em uma prática pedagógica emancipadora, há lugar para a avaliação investigativa e processual, jamais para a classificatória. A avaliação deve ter o caráter de investigação dos progressos e das dificuldades dos alunos, para se efetivar um projeto de trabalho para o aluno, ou seja, ela deixa se ser um fim em si mesma e se torna um meio de alcançar os objetivos propostos.

A identificação dos progressos e avanços do aluno leva à alteração de sua auto-estima, condição indispensável para que o aluno aprenda. A elevação da auto-estima produz também outros efeitos não menos importantes, como o interesse e a motivação na construção do conhecimento, além do desenvolvimento do prazer intelectual, tão necessário à formação do contínuo aprendiz.

Por outro lado, a identificação das dificuldades, realizada numa ação dialógica entre professor e aluno, deve levar a providências imediatas para saná-las

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